Nasceu mamãe…

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16 de março de 2016 por trupematerna

A minha vida materna começou como um sonho, sempre quis ser mãe, sempre tive o sonho de ter muitos filhos, tipo oito rss. Em 2014 me casei, eu e meu marido queríamos filhos só depois de uns três anos de casados, mas depois de três meses, tcharam estava grávida!

Eu estava desconfiada pois estava muito enjoada e mais chata que o normal, então resolvi comprar o teste de farmácia, no outro dia acordei me arrumei para trabalhar e fiz o teste e, grávida. Não queria acreditar então fiz o exame de sangue e, grávida!

Na hora do almoço meu marido me pegou no trabalho fomos almoçar e depois sentamos no banco do lado de fora do restaurante e ficamos ali pensando e planejando como seria a nossa vida a partir daquele momento. A verdade é que por mais que planejamos ou imaginamos, a vida materna nunca é como queremos. A minha gravidez foi regada de enjoos, choros, chatices, gordices, sono, mimos, preocupação, bedelhos, carinho, amor, preguiça, estudos, chutinhos na barriga e muito mais!

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Quando estava na 37ª semana, no dia 11 de janeiro de 2015, a meia noite enquanto comia uma bela de uma lasanha minha bolsa rompeu, notei que eu estava molhada e fui ao banheiro,  a primeira coisa que fiz foi ligar pra minha irmã (liguei para a mais calma, claro!), falei pra ela o que estava acontecendo e ela me mandou ir para maternidade, saí do banheiro e tentei dizer discretamente para o meu marido o que havia acontecido, ele arregalou os olhos e nós fomos pra maternidade. Estávamos ansiosos e mega felizes.

Quando cheguei na maternidade fui atendida pelo plantonista (minha médica? não me pergunte porque até hoje não sei dela), o médico me disse que meu colo estava muito grosso e que não tinha nada de dilatação. Conversei com ele e disse que queria muito ter o parto normal, aliás sempre sonhei com um parto normal, mas notei ali mesmo que ele não iria deixar isso acontecer, eu não senti nenhuma dor, só estava nervosa. Eu me preparei para aquele grande dia, estudei e me informei, nunca imaginei que  as coisas tomariam o rumo totalmente diferente. Em menos de uma hora eu estava deitada em uma maca, anestesiada e sentindo o rebuliço sendo feito na minha barriga, meu marido assistiu tudo.

À 1h40 da madrugada nascia o Miguel fazendo o maior berreiro, a médica me deixou vê lo por alguns minutos e ali descobri que nasci para ser MÃE! O Miguel foi para a pediatra fazer procedimentos desnecessários e eu fiquei sendo costurada e passando muito mal, aliás duas horas antes estava me matando na lasanha, lembra?! Falei para o médico que estava sem nada de ar, a anestesista olhou pra mim e disse que já tinha colocado remédio de ânsia três vezes e que era para eu para de reclamar. Ham? Sério? Ela acha mesmo que eu estava de frescura? Achei que iria ‘empacotar’ ali mesmo, mas o obstetra pediu que ela aplicasse o remédio mais uma vez pois iria demorar ali.

Fui pro quarto e o Miguel teve que ficar em observação, ele nasceu com a nota apgar bem baixa e falta de oxigênio, e o sofrimento começou, naquela mesma madrugada. A pediatra colocou ele no oxigênio, enquanto eu estava no quarto ela apareceu e me pediu para assim que amanhecesse fosse ordenhar para mandar leito pro Miguel, e eu sem saber o que estava acontecendo perguntei como estava o Miguel, ela com toda paciência me respondeu e terminou a fala dizendo: Mãe temos 24 horas de vida pela frente. Amei o que a médica me disse, foi o que me deu forças pra levantar de uma cirurgia e nem lembrar da dor, pressão baixa e sangramento.

Tomei banho e fui ver o Miguel, ele estava no berço com oxigênio só de fraldinha, todo sujo e com cheirinho azedo, não sou mãe iludida, olhei e senti o maior amor do mundo por aquele bebê cabeludo com traços fortes. Mas ele estava com cara de bebê doente, fiquei ali por um tempo e fui tentar ordenhar, claro que não saiu nada, não tinha leite, o Miguel não sugou pra que estimulasse a fabricação, eu estava nervosa, as enfermeiras estavam pressionando me diziam que eu não tinha leite, que eu tinha que tomar remédio, que iriam dar leite artificial para ele. Claro que nunca iria conseguir fabricar leite! Enquanto eu espremia meus seios até não aguentar mais, a enfermeira deu leite artificial para o Miguel (obs:  a pediatra mandou ela dar leite e como eu não tinha ao invés de pegar do banco de leite, resolveu por ela mesma dar leite artificial). A situação piorou, pois o leite acarretou uma infecção intestinal, a pediatra teve que fazer lavagem e começar com antibiótico, o Miguel ficou com Icterícia e foi para o banho de luz.  Quando fui ver o Miguel de noite ele estava tomando soro, com as mãozinhas roxas de agulhadas erradas e se alimentando por sonda.

No outro dia me mandaram pra casa e o Miguel continuou  no hospital, quando saí do hospital não queria ver e nem falar com ninguém, queria ir pra casa chorar e orar, mas claro que ninguém podia respeitar isso né! Cheguei em casa e passei a madrugada ordenhando e meu marido me ajudando, quando o dia amanheceu me arrumei e fui para a maternidade jorrando leite (claro que conseguiria, estava no meu ambiente com calma sem julgamentos ou pressão, só pensando em fazer o melhor para o meu filho e tendo o apoio do meu amor), fui direto ordenhar e esfregar na cara de algumas enfermeiras que tinha conseguido. Falei com a médica e ela mandou me internar novamente porque queria que o Miguel tentasse mamar direto no peito, no dia 14 me internei de novo e o Miguel saiu do oxigênio e começou a luta pelo tão sonhado bico e pega. Esse dia peguei o Miguel no colo pela primeira vez, nesse dia dei o primeiro banho, ai que dia delicioso. A fonoaudióloga foi no quarto me ajudar, mas como sabemos tem que ter paciência e paz e isso era tudo o que eu não tinha lá, todo hora aparecia alguém pra pressionar.

No dia 15, o Miguel voltou para o banho de luz, pois não conseguia mamar, me transferiram para um quarto onde eu pudesse ficar com ele, então fui para o apartamento. Ali tudo começou a melhorar, as enfermeiras de lá me tratavam tão bem, elas me ajudavam realmente. Os medicamentos ainda eram feitos pelo acesso e todos os dias ele fazia teste de glicemia três vezes ao dia. Dia 16 ele já estava menos amarelo e com o rostinho mais saudável, já sabia quem era a mamãe soltava sorrisinhos, a pediatra mandou parar com os medicamentos e o Miguel já mamava bem. No dia 18 de janeiro um domingo de manhã, ensolarado o Miguel recebeu alta, ele manteve o peso e estava bem melhor! Parecia um sonho aquilo tudo ter acabado!

Hoje o Miguel já tem 1 ano e 2 meses, claro que muitas doenças e medicamentos que ele ainda toma são consequências daquela semana cheia de erros, descobertas e acertos. O nascimento do Miguel teve muitos momentos tristes e desesperadores, foi muito difícil aproveitar aquele momento bom de olhar pra ele pela primeira vez, ou de amamentar, ou de ter ele em meu colo, ou de sentir gratidão por aquela vida.Tirando a conclusão desses dias eu vi que o importante é aproveitar cada segundinho daquele ser angelical que está ali cheio de amor e naquela semana aprendi que pra ser mãe temos que lutar, temos que ter força, temos que ter coragem, temos que andar de mãos dadas com Deus!

Eu nasci pra ser MÃE! Amo ser mãe! E estou aqui pra compartilhar com todas as maravilhas de uma maternidade real!

Kerolin Braga, mãe do Miguel de 1 ano e 2 meses, casada, estudante de arquitetura, do lar, babá de sobrinha e blogueira.

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5 pensamentos sobre “Nasceu mamãe…

  1. Jerusa Rafael Yahn disse:

    Que história, eu não sabia tudo que você passou com o Miguel.
    Parabéns mamãezinha.

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  2. Sandra Diniz disse:

    Que mamãe guerreira te admiro ainda mais.

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  3. Maria de Fátima Cardoso disse:

    Que linda experiência. Ser mãe é assim mesmo. Parabéns e estamos esperando os outros sete. A amostra é linda.

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  4. Davi Bastos Braga disse:

    Quando vi pela primeira vez aquela menina muleca eu me encantei e quis saber mais sobre ela, quando soube mais daquela moça me apaixonei e quis conhece-la, quando conheci melhor aquela mulher entreguei meu coração e decidi ama-la, quando eu a amei esse amor deu frutos e ela se torno mãe e eu Pai.

    Sou grato a meu Pai dos céus por nos unir e permitir que esse amor seja para luz e para a escuridão e por todas as épocas que virão.

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  5. Iraci Sardinha disse:

    Só sei de uma coisa essa mãezinha linda poderosa é a minha maior riqueza e esse Miguel é o amor da minha vida. Meu grande homem.

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