Meu filho tem pesadelo. Como lidar com isso?

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9 de junho de 2016 por trupematerna

Por que ele invade o sono? O que quer dizer? Aprenda a desvendar esse mal-estar.

pesadelo_revista crescer

Foto: Revista Crescer

Minhas duas filhas, Júlia, que tem 7 anos, e Isabela, 3 anos, dormem no mesmo quarto, cada uma em sua cama. Isso facilita um pouco as coisas quanto uma delas – ou ambas – reclamam de medo na hora de dormir ou de pesadelos. Algumas vezes já aproximei as camas e as duas dormiram juntas, mas confesso que precisei estudar sobre como ajudá-las e superar o medo.

Eu não entendia o motivo do medo, não só do escuro (sempre dormimos com as luzes apagadas), mas de tudo que envolvia dormir, porque o processo e o ritual do sono sempre foram tranquilos em casa. Apesar que a mais velha tem o sono um puco agitado, levanta durante a noite para ir ao banheiro – sozinha e no escuro, sem problemas -, tomar água ou pede para ser coberta. Já a caçula tem o sono mais fácil, mas iniciá-lo é o problema. Ela enrola, chama a gente, pede para deitarmos com ela (as duas sempre dormem na própria cama, não temos o hábito de colocá-las para dormir com a gente).

Enfim, percebi que o problema era mesmo o medo de dormir e os pesadelos, que deixam as noites delas e as nossas ainda mais agitadas. Então aqui seguem algumas informações e dicas que foram úteis para mim e acredito que podem ajudar na mesma situação. Só é importante ficar atento em relação ao problema, se não for apenas pesadelo pode ser distúrbios relacionados ao sono: terror noturno, sonambulismo, agitação noturna, bruxismo, entre outros. Então se o caso for mais delicado é importante procurar um médico e orientação especializada. Vale a atenção e o cuidado! Em outro post vamos falar sobre o medo de forma geral, e discutir o assunto, que é importante no dia a dia dos nossos filhos!

Os pesadelos podem acontecer em casos de mudanças repentinas e vida agitada, excesso de atividades pode cansar e exigir demais dos pequenos. Mas atenção se os pesadelos forem constantes e sempre os mesmos, podem significar que algo não vai bem com a criança. É o que dizem as especialistas Marcia Pradella, neurologista responsável pelo setor de pediatria do Instituto do Sono da Unifesp, e Melina Blanco Amarins, psicóloga e psicopedagoga do Hospital Albert Einstein (SP), ouvidas em uma reportagem da Revista Crescer (clique).

Por que os pesadelos acontecem?
Tanto os sonhos bons como os ruins ocorrem na fase REM do sono (aquele em que há intensa atividade cerebral). O que vai determinar se o seu filho terá ou não pesadelo será, na verdade, as situações que acontecem no dia a dia dele. Uma briga com os amigos, a descoberta de um inseto nojento ou, até mesmo, a história de um filme ou livro com que ele teve contato podem ser ganchos para as noites se tornarem turbulentas.

Existe uma fase mais propícia para que eles se manifestem?
A partir do momento em que a criança começa a entender os sonhos, os pesadelos podem surgir. No entanto, os médicos dizem que isso é mais comum por volta dos 3 anos, quando a criança já tem um bom nível de maturação do sistema nervoso central (parte do cérebro responsável por receber e processar informações). É essa maturidade que faz com que ela interprete a experiência que teve durante o sono, o que, por sua vez, origina sentimentos de medo, ansiedade e receio. Aliado a isso, as fases pré-escolar e escolar introduzem novas experiências na vida da criança, que estimulam muito a criatividade e imaginação.

Nota: Entre os 3 e os 5 anos elas estão na fase natural dos temores. O medo de trovão, do escuro, de monstros ou de dormir sozinho são naturais e devem passar conforme a criança cresce e amadurece emocionalmente. Mas o papel dos pais é fundamental para facilitar este processo – ou para transformá-lo em um trauma difícil de superar.

Até que ponto é normal ter pesadelos e quando pode estar passando dos limites?
Dados da Associação Brasileira do Sono mostram que de 20% a 30% das crianças entre 5 e 12 anos têm um pesadelo a cada 6 meses. Os especialistas não falam em uma média “normal” de sonhos ruins, já que isso varia de um indivíduo para outro. Se de uma hora para outra, porém, eles se tornarem muito frequentes, pode ser um alerta. Geralmente, os sonhos servem para o inconsciente dar vazão aos medos, inseguranças, angústias e situações de conflito do dia a dia.  Ao menor sinal de problema, vale fazer uma avaliação informal da vida do seu filho: como está a rotina escolar? O ambiente familiar está muito tenso?  Ele presencia muitos conflitos? Está passando por alguma mudança? Essas respostas vão mostrar se é hora de ter uma conversa séria para entender o que ele está sentindo e, quem sabe, até levá-lo a um especialista.

O que fazer se o seu filho acordou por causa de um sonho ruim?
Se ele despertou assustado, o melhor que você tem a fazer é tranquilizá-lo com carinho e acolhimento. Um beijo e um abraço costumam funcionar. Se o seu filho tiver menos do que 4 anos, está na fase em que é difícil diferenciar a imaginação e a realidade, por isso, é bom você explicar para ele que o sonho está só na cabeça dele, que monstros não existem, que ele está seguro em casa. Às vezes, colocar para dormir com um bicho de pelúcia ou um brinquedo é uma ótima saída para os momentos mais tensos. Para as crianças maiores, a dica é não valorizar o pesadelo, ou seja, nada de ficar pressionando para saber os detalhes ou, na noite seguinte, perguntar se sonhou de novo com a mesma coisa. O melhor é minimizar o momento ruim.

Dá para evitar que seu filho tenha pesadelo?
Evitar não dá, mas os pais podem criar um ambiente mais propício para o filho dormir bem. Para isso, a preparação para a hora do sono é fundamental. Não deixá-lo acordado até tarde, desligar televisão, tablets e computador de meia hora a duas horas antes do sono, para que ele não fique muito agitado, apagar ou abaixar as luzes do ambiente, verificar se o travesseiro e a cama estão confortáveis e adequados às suas necessidades, tudo isso contribui para um sono mais tranquilo.

Há algo de bom sobre os pesadelos?
Dá para tirar um aprendizado de tudo, não é mesmo? Os pesadelos ajudam também a criança a lidar com aquilo que foge do controle: o medo. Por meio deles, ela pode aprender a controlar esse sentimento e a ansiedade que geram. Sem contar que ajudam os pais a decifrar o que se passa na mente da criança e ela não sabia, mas que foi revelado por seu inconsciente.

Por Natalia  Yahn (com informações IG e Revista Crescer)
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